Formação precária de professores preocupa especialistas
Em colóquio na UnB, estudiosos do tema se mostraram preocupados com a qualidade dos núcleos de formação a distância
João Campos - Da Secretaria de Comunicação da UnB
Não só alunos precisam da sala de aula para aprender. Durante a primeira etapa do Colóquio de Tecnologias na Educação sobre a Formação de Professores, na Universidade de Brasília, os palestrantes colocaram a formação precária de quem segura o giz como um dos principais desafios do século XXI. A expansão dos núcleos para formação de docentes a distância, reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC), é um dos pontos que mais preocupam os pedagogos. Para eles, não há um plano pedagógico adequado para o sistema, que acaba contribuindo para a proliferação de maus professores.
A educação brasileira passa por uma transição de paradigmas. A introdução de novas tecnologias e métodos de ensino – as chamadas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) – revolucionam as maneiras de ensinar e aprender. Para o professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), José Carlos Libâneo, boa parte das mudanças, como a criação de núcleos de formação à distância, são positivas na teoria. Porém, na prática, a história muda. “Não há estrutura para assegurar a qualidade na formação dos professores e isso é ruim”, afirmou o pedagogo.
Convidado para abrir a palestra, organizada pela Cátedra Unesco de Educação a Distância da UnB, o especialista afirma que não há plano pedagógico adequado para os professores inscritos nos cursos de formação a distância, assim como falta estrutura para acompanhar o rendimento deles. “A iniciativa é louvável e representa uma tendência a ser seguida. Mas se não houver investimentos do governo, o tiro pode sair pela culatra”, ponderou Libâneo. Ele ressaltou a necessidade de pesquisas sobre o desempenho dos núcleos para dar subsídios à formulação de políticas públicas.
A professora da Faculdade de Educação da UnB Ilma Passos Veiga apresentou os resultados de tese de doutorado sobre a situação da educação de docentes a distância em três estados brasileiros: Sergipe, Minas Gerais e Goiás. “Há sérios limites para a assimilação do conteúdo, a carga horária ainda é baixa, falta estrutura para o deslocamento dos docentes para as aulas presenciais e as condições de trabalho dos professores não é levada em conta”, enumerou.
CENÁRIO CRÍTICO – Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o índice de analfabetos funcionais – que estão nas escolas, mas não se alfabetizaram - com mais de 15 anos de idade foi de 21% (30 milhões de pessoas) em 2008. Para Libâneo, os números refletem a falta de estrutura das escolas e a incapacidade dos professores em transmitir conhecimento. “Os professores devem, além de dominar o conteúdo, ser capazes de repassá-los. Esse é o princípio básico da pedagogia e só pode ser consolidado com uma formação adequada”, disse.
O professor da UnB Célio da Cunha ressaltou que o melhor caminho para assegurar educação de qualidade é investir na formação sólida do docentes. “Deixar a responsabilidade com um sistema que ainda não se consolidou (a distância) é um desrespeito e um risco alto. Enquanto não houver segurança suficiente no modelo é preciso garantir uma formação adequada”, observou. O pedagogo ressalta que 80% dos centros de formação de professores são entidades particulares. “O governo deve assegurar a formação de qualidade. Sem bons professores, só teremos maus alunos”, concluiu.
Texto: UnB Agência.
Em colóquio na UnB, estudiosos do tema se mostraram preocupados com a qualidade dos núcleos de formação a distância
João Campos - Da Secretaria de Comunicação da UnB
Não só alunos precisam da sala de aula para aprender. Durante a primeira etapa do Colóquio de Tecnologias na Educação sobre a Formação de Professores, na Universidade de Brasília, os palestrantes colocaram a formação precária de quem segura o giz como um dos principais desafios do século XXI. A expansão dos núcleos para formação de docentes a distância, reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC), é um dos pontos que mais preocupam os pedagogos. Para eles, não há um plano pedagógico adequado para o sistema, que acaba contribuindo para a proliferação de maus professores.
A educação brasileira passa por uma transição de paradigmas. A introdução de novas tecnologias e métodos de ensino – as chamadas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) – revolucionam as maneiras de ensinar e aprender. Para o professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), José Carlos Libâneo, boa parte das mudanças, como a criação de núcleos de formação à distância, são positivas na teoria. Porém, na prática, a história muda. “Não há estrutura para assegurar a qualidade na formação dos professores e isso é ruim”, afirmou o pedagogo.
Convidado para abrir a palestra, organizada pela Cátedra Unesco de Educação a Distância da UnB, o especialista afirma que não há plano pedagógico adequado para os professores inscritos nos cursos de formação a distância, assim como falta estrutura para acompanhar o rendimento deles. “A iniciativa é louvável e representa uma tendência a ser seguida. Mas se não houver investimentos do governo, o tiro pode sair pela culatra”, ponderou Libâneo. Ele ressaltou a necessidade de pesquisas sobre o desempenho dos núcleos para dar subsídios à formulação de políticas públicas.
A professora da Faculdade de Educação da UnB Ilma Passos Veiga apresentou os resultados de tese de doutorado sobre a situação da educação de docentes a distância em três estados brasileiros: Sergipe, Minas Gerais e Goiás. “Há sérios limites para a assimilação do conteúdo, a carga horária ainda é baixa, falta estrutura para o deslocamento dos docentes para as aulas presenciais e as condições de trabalho dos professores não é levada em conta”, enumerou.
CENÁRIO CRÍTICO – Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o índice de analfabetos funcionais – que estão nas escolas, mas não se alfabetizaram - com mais de 15 anos de idade foi de 21% (30 milhões de pessoas) em 2008. Para Libâneo, os números refletem a falta de estrutura das escolas e a incapacidade dos professores em transmitir conhecimento. “Os professores devem, além de dominar o conteúdo, ser capazes de repassá-los. Esse é o princípio básico da pedagogia e só pode ser consolidado com uma formação adequada”, disse.
O professor da UnB Célio da Cunha ressaltou que o melhor caminho para assegurar educação de qualidade é investir na formação sólida do docentes. “Deixar a responsabilidade com um sistema que ainda não se consolidou (a distância) é um desrespeito e um risco alto. Enquanto não houver segurança suficiente no modelo é preciso garantir uma formação adequada”, observou. O pedagogo ressalta que 80% dos centros de formação de professores são entidades particulares. “O governo deve assegurar a formação de qualidade. Sem bons professores, só teremos maus alunos”, concluiu.
Texto: UnB Agência.
