segunda-feira, 21 de setembro de 2009

COLÓQUIO UNB - EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Formação precária de professores preocupa especialistas

Em colóquio na UnB, estudiosos do tema se mostraram preocupados com a qualidade dos núcleos de formação a distância

João Campos - Da Secretaria de Comunicação da UnB

Não só alunos precisam da sala de aula para aprender. Durante a primeira etapa do Colóquio de Tecnologias na Educação sobre a Formação de Professores, na Universidade de Brasília, os palestrantes colocaram a formação precária de quem segura o giz como um dos principais desafios do século XXI. A expansão dos núcleos para formação de docentes a distância, reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC), é um dos pontos que mais preocupam os pedagogos. Para eles, não há um plano pedagógico adequado para o sistema, que acaba contribuindo para a proliferação de maus professores.

A educação brasileira passa por uma transição de paradigmas. A introdução de novas tecnologias e métodos de ensino – as chamadas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) – revolucionam as maneiras de ensinar e aprender. Para o professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), José Carlos Libâneo, boa parte das mudanças, como a criação de núcleos de formação à distância, são positivas na teoria. Porém, na prática, a história muda. “Não há estrutura para assegurar a qualidade na formação dos professores e isso é ruim”, afirmou o pedagogo.

Convidado para abrir a palestra, organizada pela Cátedra Unesco de Educação a Distância da UnB, o especialista afirma que não há plano pedagógico adequado para os professores inscritos nos cursos de formação a distância, assim como falta estrutura para acompanhar o rendimento deles. “A iniciativa é louvável e representa uma tendência a ser seguida. Mas se não houver investimentos do governo, o tiro pode sair pela culatra”, ponderou Libâneo. Ele ressaltou a necessidade de pesquisas sobre o desempenho dos núcleos para dar subsídios à formulação de políticas públicas.

A professora da Faculdade de Educação da UnB Ilma Passos Veiga apresentou os resultados de tese de doutorado sobre a situação da educação de docentes a distância em três estados brasileiros: Sergipe, Minas Gerais e Goiás. “Há sérios limites para a assimilação do conteúdo, a carga horária ainda é baixa, falta estrutura para o deslocamento dos docentes para as aulas presenciais e as condições de trabalho dos professores não é levada em conta”, enumerou.

CENÁRIO CRÍTICO – Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o índice de analfabetos funcionais – que estão nas escolas, mas não se alfabetizaram - com mais de 15 anos de idade foi de 21% (30 milhões de pessoas) em 2008. Para Libâneo, os números refletem a falta de estrutura das escolas e a incapacidade dos professores em transmitir conhecimento. “Os professores devem, além de dominar o conteúdo, ser capazes de repassá-los. Esse é o princípio básico da pedagogia e só pode ser consolidado com uma formação adequada”, disse.

O professor da UnB Célio da Cunha ressaltou que o melhor caminho para assegurar educação de qualidade é investir na formação sólida do docentes. “Deixar a responsabilidade com um sistema que ainda não se consolidou (a distância) é um desrespeito e um risco alto. Enquanto não houver segurança suficiente no modelo é preciso garantir uma formação adequada”, observou. O pedagogo ressalta que 80% dos centros de formação de professores são entidades particulares. “O governo deve assegurar a formação de qualidade. Sem bons professores, só teremos maus alunos”, concluiu.

Texto: UnB Agência.

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - REPORTAGENS REALIZADAS PELO JORNAL NACIONAL - REDE GLOBO DE JORNALISMO

O Jornal nacional exibiu em abril e maio deste ano, uma série de reportagens sobre EaD.
Veja mais
http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1100559-10406,00-EDUCACAO+A+DISTANCIA+BENEFICIA+MILHOES.html

http://especiais.jornalnacional.globo.com/jnespecial/category/serie-ensino-a-distancia/

sábado, 19 de setembro de 2009

O QUE É EaD?

EaD/UFMG

O Decreto 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, define a Educação a Distância (EAD) como:

"...forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação".
A Educação à Distância (EAD) é caracterizada pela separação física entre professores e alunos, pela utilização de alguma tecnologia para a mediação dos recursos didáticos e por características próprias do processo de ensino e aprendizagem. Apesar de já ser aplicada há muito tempo, a EAD ganhou, a partir da última década, novos enfoques com as possibilidades da utilização da Internet. No entanto, a aceitação da EAD, especialmente no Brasil, tem encontrado enormes barreiras para a sua efetivação, como um certo preconceito e a baixa credibilidade quanto à qualidade dos cursos oferecidos.
Freqüentemente a EAD tem sido considerada por muitos como uma maneira de se conseguir uma educação econômica, industrial e de massa, especialmente pela crença na possibilidade de que poucos professores possam atender a um grande número de alunos distantes fisicamente. As experiências mostram que a realidade não é bem essa. Não é verdade que os custos sejam menores e nem que a prática da EAD requeira menos trabalho por parte do professor. Por outro lado, o mito de que a EAD é uma educação de qualidade inferior pode ser refutado com diversos exemplos de resultados compatíveis com a da educação presencial. Dos professores, a EAD exige novas práticas pedagógicas e, dos estudantes, a EAD exige maior autonomia e responsabilidade sobre a sua própria formação. Neste sentido, o sucesso da EAD envolve ter estudantes cada vez mais auto-dirigidos e professores cada vez mais participantes e capazes de aproveitar ao máximo as novas tecnologias disponíveis.
Acreditamos que a utilização do potencial das novas tecnologias da informação e comunicação possa amenizar algumas barreiras da EAD como o isolamento e a conseqüente falta de motivação que costuma levar à evasão dos alunos. Porém, para que isso aconteça são necessários investimentos, especialmente na formação dos professores e na infra-estrutura de suporte. Mesmo para professores com larga experiência em ensino é preciso aprender a fazer a EAD, pois, ensinar e aprender à distância, não é o mesmo que ensinar e aprender presencialmente. Não basta ao professor adquirir as habilidades operacionais para a utilização da Internet e nem tão pouco transpor suas experiências da educação presencial para o espaço virtual. A EAD requer diferentes habilidades para a apresentação, o planejamento, o preparo de material, o desenvolvimento de atividades e a avaliação. Em especial, é necessário dominar o ambiente ou o sistema de comunicação utilizado para desenvolver projetos de EAD, de acordo com os princípios educacionais previamente definidos.
Vários graus de separação física entre estudantes e professores podem ser pensados na EAD, variando de um espectro de soluções semi-presenciais até totalmente à distância. A utilização dos recursos computacionais em rede no meio acadêmico ocorre em níveis diferenciados, indo da simples apresentação do programa de um curso à formação de comunidades virtuais de aprendizagem. Cada iniciativa nessa direção representa passos significativos e o professor poderá despertar para novas formas e possibilidades oferecidas em outros níveis de utilização. Para alcançar níveis mais elevados de eficiência e eficácia da EAD são fundamentais a troca de experiência e a busca de novas formas de aprendizagem, a partir do interesse e das necessidades de cada grupo.

HISTÓRICO DA EaD

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO BRASIL: UMA ANÁLISE HISTÓRICA DAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS

Danielle Xabregas Pamplona Nogueira
Doutoranda em Educação pela Universidade de Brasília – UnB.
Docente da Universidade da Amazônia – UNAMA.
Email - danielle.pamplona@gmail.com

Raquel de Almeida Moraes
PPGE – EDUCAÇÃO – UnB
Email: rachel@unb.br

Resumo: O trabalho tem como objetivo analisar o desenvolvimento da educação a distância (EaD) nos diferentes contextos das políticas públicas educacionais brasileiras. Para isto, considerou-se que as políticas públicas representam o Estado em ação. Em atendimento ao objetivo proposto, relacionaram-se a trajetória histórica das políticas públicas educacionais no Brasil e o caminho percorrido pela educação a distância na história da educação brasileira, revelando-se os seus principais desafios. A metodologia utilizada consistiu em revisão bibliográfica acerca políticas educacionais brasileiras desde o Brasil colônia até os dias atuais, além de fazer referência aos censos da educação a distância no Brasil, no período de 1982 a 2006, a fim de construir o cenário histórico da educação a distância no país. Como resultados, as análises realizadas revelaram uma ampliação da oferta de cursos a distância ao longo dos períodos históricos e em decorrência das políticas públicas educacionais no Brasil. Ao lado dessa expansão há o desafio da institucionalização da EaD, seja pela demanda de maior conhecimento acerca desta modalidade e das tecnologias de informação, seja pela necessidade de políticas mais substanciadas para o seu desenvolvimento.Foi possível notar a frágil regulamentação e a incipiente regulação da EaD, quanto analisada no âmbito do Ministério da Educação, havendo a carência de mecanismos de regulação e supervisão quanto às condições de oferta desses cursos e das instituições que os disponibilizam, sobretudo quanto à multiplicidade de formatos de cursos e metodologias adotadas para a modalidade. Disto, concluiu-se que a superação dos desafios mencionados depende, sobretudo, da capacidade de atualização da regulamentação e de regulação da EaD, assim como da construção coletiva dos rumos desta modalidade, para que esta se torne uma política pública legítima e de qualidade.
Veja mais:
http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&q=EDUCA%C3%87%C3%83O+A+DIST%C3%82NCIA+NO+BRASIL%3A+UMA+AN%C3%81LISE+HIST%C3%93RICA+DAS+POL%C3%8DTICAS+EDUCACIONAIS+BRASILEIRAS&btnG=Pesquisar&meta

CARACTERÍSTICAS DA EaD

Características essenciais do ensino a distância

Rurati, P.1, Borges Gouveia, L. 1 , Borges Gouveia, J. 2
1Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal
2Universidade de Aveiro, Aveiro, Portugal

Resumo: O objetivo deste trabalho é servir de orientação inicial para aqueles que desejam conhecer um pouco melhor esta forma de ensino-aprendizagem, que é o ensino a distância (EaD). O ensino a distância é um recurso de grande importância, também como estratégia de atendimento de grandes contingentes de alunos, de forma mais efetivas que outras modalidades, sem que tal traga grandes riscos de reduzir a qualidade dos serviços oferecidos.

Veja mais:
http://www2.ufp.pt/~lmbg/com/eLes04%20paulorurato.pdf

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - DESAFIOS

Os Desafios da Educação a Distância
*Anna Maria Lima Sales
A demanda pela Educação a Distância cresce a cada dia para atender às exigências de um mundo em mudanças aceleradas e com menor disponibilidade de tempo e espaços formais para a educação. Hoje várias instituições de ensino desenvolvem estudos e experiências para aperfeiçoar o processo de transposição da educação para além de seus muros.
O processo de uso da Internet na instrução é um fenômeno espantoso, sobretudo no ensino superior, frente ao processo de democratização do saber, à valorização da informação e ao uso das novas tecnologias de informação e comunicação na sociedade do conhecimento.
Para Baudrillard (1997), a Internet apenas simula espaço de liberdade e de descoberta. O operador interage com elementos conhecidos, sites estabelecidos e códigos instituídos.
No entanto, Pierre Lévy ( 1999) proclama: "fluida, virtual, ao mesmo tempo reunida e dispersa, essa biblioteca de babel não pode ser queimada (...) As águas deste dilúvio não apagarão os signos gravados: são inundações de signos".
O fato de não haver consenso acerca do uso da Internet não diminui a sua importância no contexto escolar. As novas tecnologias têm um grande potencial para trazer importantes mudanças à Educação.
As novas práticas de docência em Sistemas de EAD nos remetem à reflexão acerca da necessidade de uma proposta metodológica mais ampla em todos os contextos dos ambientes de aprendizagem da nova era. É preciso criar novas abordagens no campo da Tecnologia Educacional e procurar superar as limitações referentes às perspectivas teórico-metodológicas.
O planejador de cursos em EAD precisa estar atento aos novos paradigmas para o tratamento do planejamento, desenvolvimento e avaliação em cursos on line.
E quanto aos aspectos afetivo-emocionais? Por ser o domínio afetivo considerado uma subcategoria de aprendizagem, comumente o virtual está associado ao tecnológico, desprovido de humanização. Para se ensinar eficazmente on line, as manifestações afetivas precisam ser compreendidas em sua essência. É chegada a hora de desmitificar o ciberespaço.
Diante desse cenário desafiador de novas maneiras de ensinar e aprender, nada melhor do que finalizar com as palavras do teórico otimista do ciberespaço, Pierre Lévy:Seres humanos, pessoas daqui e de toda parte, vocês que são arrastados no grande movimento da desterritorialização, vocês que são enxertados no hipercorpo da humanidade e cuja pulsação ecoa as gigantescas pulsações deste hipercorpo, vocês que pensam reunidos e dispersos entre o hipercórtex das nações, vocês que vivem capturados, esquartejados, nesse imenso acontecimento do mundo, que não cessa de voltar a si e de recriar-se, vocês que são jogados vivos no virtual, vocês que são pegos nesse enorme salto que nossa espécie efetua em direção à nascente do fluxo do ser, sim, no núcleo mesmo desse estranho turbilhão, vocês que estão em sua casa. Bem-vindos à nova morada do gênero humano. Bem-vindos aos caminhos do virtual! (O que é o Virtual, 1996,pag.150)
*Anna Maria Lima Sales, Técnica em Assuntos Educacionais - MEC - SESu/DEREM